Usuários e trabalhadores denunciam risco de perda de atendimentos no HUGG

Ato em defesa do HUFF (Foto: Jaqueline Deister)

Os impactos da descontinuidade dos atendimentos no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG) para trabalhadores, usuários e estudantes, a partir da fusão com o Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), bem como a importância da unidade de saúde para o Rio de Janeiro, foram destaque no ato organizado pela Asunirio, com o apoio do Sintuff, Sintufrj e Sintur-RJ, na manhã desta terça-feira (9), em frente ao HUGG, no Maracanã.

Trabalhadores dialogaram com a população e distribuíram panfletos com informações históricas sobre a unidade, os atendimentos realizados, os riscos da fusão e sua relevância para a formação acadêmica e a pesquisa.

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Manifestantes abordaram motoristas e pedestres para falar sobre o risco do HUGG fechar as portas (Foto: Jaqueline Deister)

Durante as falas, o coordenador-geral da Asunirio, Rodrigo Ribeiro, denunciou irregularidades em curso no processo de fusão com o HFSE. Ele destacou que estudantes da área da saúde da Unirio, que atuam no HUGG, estão enfrentando dificuldades para acessar o HFSE, o que compromete sua formação acadêmica.

Ribeiro também ressaltou a vulnerabilidade a que estão expostos os trabalhadores do HUGG ao serem transferidos para o Hospital dos Servidores.

“O desrespeito é grande. Se, no trajeto da minha casa para o Hospital dos Servidores, acontecer algum acidente, eu não posso sequer me afastar por acidente de trabalho, porque meu local de trabalho é na Rua Mariz e Barros, 775, e não na Rua Sacadura Cabral. Como vão caracterizar acidente de trabalho se eu não estava indo para o meu local de trabalho? Questionada ontem [segunda-feira], a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas disse que iria verificar com a Superintendência do Hospital. Como verificar com uma empresa que não é responsável pelo nosso vínculo?”, questionou Ribeiro.

Usuários manifestaram indignação e receio diante da possível descontinuidade dos atendimentos. “Me trato aqui há muitos anos. Tenho retocolite e peço que não fechem o hospital. Eu e muita gente dependemos daqui”, disse Maria de Jesus, moradora da comunidade da Muzema, no Itanhangá, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

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Maria de Jesus realiza tratamento no hospital há 10 anos (Foto: Jaqueline Deister)

A cozinheira Simone Santos relatou que realizou todo o tratamento de hepatite no HUGG em 2025 e foi muito bem atendida. “Fiz o tratamento aqui e fui curada. Acho o hospital completo: fazemos exames aqui e retiramos os remédios no próprio local. É um hospital excelente — fechar seria um crime”, afirmou.

Outro usuário, estudante e morador de Valença, contou que chegou ao HUGG com tromboembolismo pulmonar durante a pandemia e considera um milagre estar vivo hoje. “Fiquei impressionado com a estrutura do hospital e com a alimentação. Há um cuidado especial com isso. Esse hospital salvou a minha vida”, relatou.

O ato terminou com a ocupação da Rua Mariz e Barros pelos manifestantes, em uma ação direta de diálogo com motoristas que passavam pelo local.

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Manifestantes ocuparam a rua em frente ao HUGG (Foto: Jaqueline Deister)

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